No contexto de uma parceria celebrada entre a Associação João13 – NAL+S.Vicente, Lisboa, e a Ser Mais Valia, está a decorrer um projeto de ensino de Língua Portuguesa (nível 1) “Língua portuguesa como língua de acolhimento para migrantes e imigrantes”. Dirigida a uma população composta por migrantes e imigrantes oriundos de diferentes países, apoiados pela João13, esta iniciativa pretende iniciar a aprendizagem do português como segunda língua e aumentar ou desenvolver as suas competências básicas neste domínio (nível A1), de modo a minorar as suas muitas dificuldades, facilitar a comunicação e a sobrevivência no país de acolhimento contribuindo, assim, para uma melhor integração social e cultural. São, igualmente, objetivos visados uma boa interação com a população residente e, idealmente, o acesso ao emprego e o exercício da cidadania. Fernando Nunes, vice-presidente da Direção Executiva da Associação João13, que desde a primeira hora manifestou disponibilidade e interesse nesta iniciativa, cedendo as instalações e prestando todo o apoio necessário ao bom funcionamento deste projeto, aceitou o nosso convite para dar a conhecer esta instituição e o seu trabalho social.
Fale-nos um pouco sobre a Associação João13 e as atividades que desenvolve.
A João13 é uma associação de apoio a pessoas em situação de sem abrigo e carenciadas, criada há 10 anos como associação privada, tendo, entretanto, passado a IPSS. É responsável pela gestão do NAL+ de S. Vicente, enquadrado no Plano Municipal para a Pessoa em Situação de Sem-Abrigo (PMPSA) e protocolado com a CML. Funciona 365 dia no ano, trabalho garantido a 100% por voluntários. Proporciona uma refeição quente (jantar) em sala e a possibilidade de tomar banho, com o respetivo tratamento de roupa (lavagem). Estas são as atividades principais às quais se têm vindo a juntar outras, como sejam as consultas de saúde oral, em parceria com a Egas Moniz School of Health and Science e as aulas de Português para estrangeiros, em parceria com a Associação SMV.
Atendendo ao público a quem se dirige, algumas das pessoas em situação de fragilidade, como avalia a sua atual situação, na cidade de Lisboa, e quais as maiores dificuldades e desafios para a vossa Associação?
A caracterização das pessoas em situação de sem-abrigo mudou muito nos últimos tempos, passando a ser constituída por pessoas cada vez mais novas e estrangeiras, especialmente com origem nos países do Sul da Asia, muitas das quais em situação de grande vulnerabilidade. Sendo uma associação que funciona única e exclusivamente com trabalho voluntário, o maior desafio é sem dúvida poder continuar a contar com a sua boa vontade.
Como surgiu esta parceria com a SMV e que balanço faz da atividade-piloto que decorreu no mês de outubro do ano passado?
A parceria foi proporcionada por um voluntário comum, perante a necessidade sentida com a alteração da população alvo.
Como está a decorrer este projeto ?
Do nosso ponto de vista, o projeto está a decorrer de forma muito satisfatória, tendo em conta as características da população a que se destina.
Como avalia esta colaboração com a SMV? Haverá interesse em dar-lhe continuidade?
A colaboração tem sido muito positiva, sendo que do lado da João13, existe todo o interesse em que a mesma possa ter continuidade. Temos consciência de que não é um trabalho fácil, mas constitui-se como uma ajuda fundamental na promoção dos que dele beneficiam.

Por parte da SMV, o projeto conta com a colaboração das voluntárias Leonida Milhões, que o coordena, e Iva Flores, com quem concebeu o trabalho que foi programado e está a ser executado. Fomos também saber as impressões das duas associadas ligadas a este novo projeto inovador e desafiador.
Quando se iniciou esta intervenção e como está estruturada?
Este projeto teve por base um pedido de resposta a esta população, em situação de grande vulnerabilidade, apoiada pela Associação João13, e com necessidade de conhecer a língua portuguesa de modo a poder comunicar e melhorar a sua integração no país de acolhimento. Em outubro de 2024 fez-se uma atividade-piloto que, depois de avaliada, nos permitiu avançar para este Projeto, em regime de porta aberta. Damos aulas todas as quartas feiras das 15 às17h.
Qual a média de formandos/as que frequentam as aulas e qual o seu grau de motivação?
Dadas as suas especificidade, condições de vida, integração e mobilidade a presença em sala de aula é muito variável. Os que participam fazem-no de forma atenta, estão motivados, sentem a necessidade desta aprendizagem e são gratos pela oportunidade que lhes é dada.
Que balanço fazem até ao momento e o que considerariam bons resultados para ações desta natureza?
Sendo ainda muito cedo para um balanço e dado o seu caráter inovador, a sua pertinência ou oportunidade podemos referir que a Ser Mais Valia está a contribuir de forma ativa e empenhada para os ajudar na sua integração e diminuir as suas dificuldades. Este projeto torna-se, por isso mesmo, um grande desafio de experiência, execução e avaliação constantes que desenvolvemos com motivação acreditando no seu sucesso.
Que apelo fariam para que novos associados queiram aderir a esta atividade?
A todos os que, de alguma forma, queiram participar e contribuir para o crescimento, aumento e melhoria desta resposta, diríamos que aqui encontram uma nova forma de “ser mais valia” na vida de todos os que esperam a nossa ajuda. Neles encontramos a razão e a vontade para continuar apesar das dúvidas ou dificuldades. Pensamos que a proposta é desafiante e desafiadora, é inovadora, tem dificuldades acrescidas pela sua novidade e especificidades mas que vale a pena e merece o tempo e a atenção que lhe dedicarmos.