Edmundo Batista Cardeira, nasceu em Alcobaça, distrito de Leiria. É Engenheiro Eletrotécnico, área em que tem mantido a sua atividade. (ver síntese biográfica no final). Recentemente, foi eleito Presidente da Direção da Associação SER MAIS VALIA, para o próximo triénio. Fica o registo de uma conversa que tivemos.
GC (Graciela Pinheiro) – Que motivação te inspirou a apresentares a tua candidatura à presidência da Ser Mais Valia?
Diversos motivos.
Primeiro, porque penso que a SMV é uma associação com futuro. É uma instituição única, com características muito próprias, não conheço mais nenhuma que agregue voluntários de competência com mais de 55 anos de idade e com uma estrutura de gestão assegurada, apenas, por voluntários.
Segundo, porque me pareceu que o modelo de gestão em vigor já não era o mais apropriado à dimensão que a SMV tinha atingido.
Terceiro, porque não dizê-lo, por gosto pessoal. Tinha vontade, algumas ideias, uma equipa a apoiar, surgiu a oportunidade e candidatámo-nos.
GP – Quais são os principais objetivos e causas que movem a nova Direção para este mandato?
Os objetivos que se pretendem estão consignados no plano de ação a que nos propusemos e que teve a aprovação dos associados.
Do conjunto dos objetivos destaco três:
A revisão do modelo de governança da Associação, com a criação de uma estrutura de operações oficializada e visível que apoie a direção e que, entre outras vantagens, evite os hiatos operativos dos fins e inícios de mandatos. Esta estrutura começou a ser desenhada na direção anterior e vai ser agora oficializada e caracterizada. Consiste fundamentalmente por uma libertação de funções que estavam concentradas na direção que passam a ser desempenhadas por associados nomeados e comprometidos. Cada uma das funções descentralizadas terá um descritivo de responsabilidades e um compromisso de honra do associado que a irá exercer.
Aproximar mais os associados da SMV. E sermos cada vez mais. A SMV deve ser a casa para quem tem mais de 55 anos de idade, alguma disponibilidade, gosto por estar ativo e quer ainda contribuir para o desenvolvimento. O objetivo aqui é manter motivados os associados e ter as portas bem abertas para a entrada de novos elementos. E ir mesmo à procura deles, realizando periodicamente campanhas de angariação. A média etária dos associados tem vindo a subir e é importante inverter essa tendência de modo a não comprometer a continuidade da associação que, como todos sabemos, tem um espaço próprio, e crescente, no conjunto das ONGD nacionais e na sociedade portuguesa.
O terceiro, agora virado para o exterior. A atuação da SMV tem-se pautado pelo respeito pelos Direitos Humanos e contributo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. E aqui tem já um longo historial de intervenções que lhe granjeou a credibilidade e visibilidade com que hoje é conhecida. Estas intervenções de sucesso têm sido realizadas nos PALOP (com uma forte incidência na Guiné, mas não só) e também em Portugal nos públicos-alvo também ligados aos PALOP. Foi com este objetivo que a SMV foi fundada, é com este objetivo primeiro que ela vai continuar. Penso, contudo, que a associação tem margem para alargar o seu público-alvo, como, por exemplo, no mundo da imigração, onde os números começam a ser relevantes. Poderá ser também uma área de realização pessoal dos associados, uma outra maneira de se contribuir para o desenvolvimento, aquilo que os associados pretendem ao dirigirem-se à SMV. Já há pelo menos um projeto enquadrado nesta nova linha de atuação. Se ela vai evoluir depende de vários fatores, um dos quais da maior ou menor iniciativa dos associados. O que quer que se faça aqui vai ser certamente com passos seguros devidamente consensualizados e testados.

GP – Perspetivas algumas dificuldades que possam condicionar o cumprimento dos objetivos propostos?
Sim, claro. Uma coisa são as ideias outra é implementá-las. Os objetivos que só dependem de nós, à partida, não prevejo dificuldade em cumpri-los. Agora, aqueles que dependem de terceiros, claro que vão aparecer dificuldades. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos financiamentos para além daqueles com que temos sobrevivido, onde o sucesso até agora não tem sido grande. Vai ser feito um forcing nesta área, existe um pelouro dedicado exclusivamente a esta função.
GP – A Ser Mais Valia tem centrado, predominantemente, a sua ação no âmbito dos PALOP. Que metas te propões alcançar neste complexo, e exigente, domínio?
Como disse atrás, desde que nascemos, a nossa grande área de intervenção tem sido os PALOP e os públicos associados. E é para continuar. A área dos projetos e o respetivo pelouro estão concentrados neste objetivo. Para além do plano de atividades que herdámos e vamos concretizar, perspetiva-se uma continuidade dos projetos que temos desenvolvido na Guiné, estão também bem encaminhadas intervenções, em parceria, em Moçambique e Angola. Esperamos ter uma presença mais ativa em S. Tomé e, agora falo só por mim, um dia cooperar também com Cabo Verde.
GP – Que balanço gostarias de fazer no “terminus” do teu mandato?
Como disse, o nosso grande foco é na implementação do modelo de gestão mais alargado e descentralizado. Se no fim do mandato, a primeira linha de gestão operacional não estiver assegurada na totalidade por associados não pertencentes aos órgãos sociais, consideramos que o grande objetivo falhou. Quanto ao resto, tudo se resume no terceiro moto do plano de ação: CRESCER.
No fim do mandato esperamos ter mais associados, mais intervenções, mais projetos, mais missões, mais dinheiro, mais visibilidade e mais reconhecimento. Era este o balanço que gostaríamos de fazer, é para ele que vamos trabalhar.
GP – Tens alguma mensagem que julgues oportuno transmitir aos nossos Associados?
Sim, claro. Acreditem em vós, acreditem na SMV, motivemo-nos todos uns aos outros. Somos todos voluntários, temos um modo de estar na vida comum – o que nos trouxe a esta casa – que nos facilita a organização e concretização dos nossos objetivos. Façamos da SMV a nossa segunda casa, é ela que nos junta e nos enquadra na realização do nosso sonho: de um mundo melhor, mais justo, mais humano, mais inclusivo e com menos desigualdades.
Síntese biográfica
Nasceu em 1947, em Alcobaça, distrito de Leiria, tendo, cedo, viajado para Angola onde viveu grande parte da sua vida (1951-1982). Reside, atualmente, em Oeiras.
Cumpriu o serviço militar em Angola, no período de 1968-1972, e concluiu em 1972 a sua primeira formação académica com o curso de Electrotecnia e Máquinas, no Instituto Industrial de Luanda.
Iniciou a sua atividade profissional nesse mesmo ano, na Empresa Nacional de Telecomunicações.
Regressou a Portugal em 1982, e ingressou numa multinacional alemã do mesmo ramo.
Concluiu, em 1987, a sua segunda formação académica, em Engenharia de Sistemas e Computadores, no Instituto Superior Técnico de Lisboa.
Na sua vida profissional desempenhou, principalmente, as funções de gestor de projetos e diretor de equipas, na área de engenharia e instalação de equipamentos.
Após a sua reforma descobriu o voluntariado, tendo integrado o Projeto Mais Valia, da Fundação Calouste Gulbenkian e, em continuidade, a bolsa de voluntários da Associação Ser Mais Valia, (SMV) desde a sua criação.
Participou em várias missões nos PALOP, nomeadamente em Angola, Guiné -Bissau e São Tomé e Príncipe, sempre em ações de formação na área da informática.
Foi membro da Direção da Associação SMV, no mandato de 2021-2023.
Participa, ainda, nos projetos “Escritafricando” e ‘Mulheres Africanas” da SMV.

Graciela Pinheiro
Voluntária da Ser Mais Valia