Luís Rodrigues é um jovem São-tomense, natural e residente na Ilha do Príncipe. Filho de pais Cabo-verdianos, nasceu em 1988 na Comunidade de Ponta do Sol. Tem o estatuto de Amigo da Ser Mais Valia, sendo o autor do cartão de Boas Festas 2025 e do cartão de aniversário que é enviado aos associados. A Associação já tem muitos Amigos, um estatuto para voluntários que só podem colaborar pontualmente ou, como é o caso do Luís, ainda não preencham o requisito da idade de 55 anos para ser associado. Encontra-se neste momento em Portugal, enviado pelo Governo Regional, para obter formação na sua área profissional na Rádio e Televisão. O regresso ao seu País está previsto para agosto, mas, tal como diz, continuará a colaborar com a Ser Mais Valia à distância pela oportunidade de aprender com “pessoas com muito conhecimento e experiência [que] são uma biblioteca. Vamos conhecê-lo melhor.
GP- (Graciela Pinheiro) Luís, fala-nos de ti!
Nasci no Príncipe em 1988, na Comunidade de Ponta do Sol. Sou descendente de pais Cabo-verdianos. A minha vida é uma história…os meus pais são agricultores, vivem numa comunidade pobre. Na altura, as pessoas da comunidade raramente estudavam para além da 6ª e 7ª classe, pois os pais não tinham condições económicas para que continuassem os estudos. Hoje já temos o ensino básico e secundário nas comunidades, mas quando estudei só havia até à 4ª classe. A 5ª classe já era na cidade. Eu tive sorte porque o meu padrinho vivia na cidade e propôs aos meus pais para eu ir viver com ele. Estudei na 4ª classe na escola da Sundy e o restante do ensino básico e secundário na cidade.
GP- Terminaste o secundário e foste logo trabalhar?
Ainda a estudar, comecei a trabalhar como barbeiro numa barbearia. Estudava e trabalhava. Mas continuava a procurar trabalho na Rádio Regional e acabei por entrar em 2006.
GP- Quais foram as tuas primeiras tarefas na Rádio Regional?
Fazia técnica, imagem, fazia de tudo. Fazia filmagens, videos , parte técnica. As filmagens eram enviadas para São Tomé através de cassetes de vídeo e eles lá faziam a edição. Depois, com a mudança de câmara para digital, passámos a enviar pela internet.
GP- E atualmente quais são as tuas funções?
Hoje asseguro todo o trabalho de imagem e edição.

GP- O que te motivou esta vinda a Portugal?
A necessidade de aprender mais na minha profissão, tendo em conta a inexistência de formadores especializados locais. Pesquisar na internet não era fácil, em virtude de não ter competências suficientes que permitissem entender e não haver espaço de interação de modo a tirar as minhas dúvidas questionando o outro. Ter formação em São Tomé e Príncipe seria o ideal, visto que não havia necessidade de sair do meu País. Trabalhar em comunicação requer contacto com os outros. E esse contacto torna a aprendizagem muito mais proveitosa.
GP- Enviado pelo Governo através de uma parceria com a Instituição de ensino, chegaste ao fim da jornada que te trouxe a Portugal. Qual o curso que fizeste?
Fiz a licenciatura em design de comunicação, na Escola Superior de Tecnologia, Gestão e Design do Instituto Politécnico de Portalegre.
GP- Sentes-te realizado?
Ainda não. Para me sentir realizado gostaria de poder exercer aqui funções para conhecer outras pessoas da área já com experiência e adquirir mais conhecimentos que me permitiriam mais autonomia no meu País. Quero voltar para o meu País e investir nele. Transmitir aos outros o conhecimento que adquiri.
GP- Quais foram as maiores dificuldades sentidas cá?
O frio e a ausência da família. Depois, aprender novas regras e fazer novas amizades.
GP- A Ser Mais Valia pediu a tua colaboração e fizeste o postal de Natal último bem como o postal de aniversário. Estás disponível, mesmo à distância, para continuar connosco?
Como disse, entro em projetos não para trabalhar só no momento. Na Ser Mais Valia é isso mesmo! Não entrei para receber, entrei para aprender muito com as pessoas que fazem parte dela. Pessoas com muito conhecimento e experiência são uma biblioteca. Por outro lado, os trabalhos que faço acabam por ser também divulgados, o que é muito bom para mim. “Ajudamos hoje e amanhã podemos ser ajudados”.

GP- Luís, tens no Príncipe a família e o trabalho na Rádio à tua espera. E projetos pessoais?
Tenho muitos. Preciso é de patrocínio para os poder implementar. Imagem, fotografia, estampagem e impressão são alguns trabalhos que pretendo fazer. Para já, quero arranjar um espaço para fotografia. Na altura das matrículas os pais têm dificuldades em arranjar as fotos. Podem até ter no telemóvel, mas não as conseguem imprimir.
Graciela Pinheiro
Voluntária da Ser Mais Valia