APADRINHAR UM(A) JOVEM ESTUDANTE DE MOÇAMBIQUE

Uma faceta pouco conhecida de cooperação através da nossa Associação é o apadrinhamento de jovens estudantes moçambicanos, feito a título individual por alguns associados, que nasceu das campanhas de apadrinhamento da Ser Mais Valia.

Nestas iniciativas, os estudantes beneficiam dos montantes angariados provenientes de diferentes doadores, que a Associação transfere para as instituições que os indicaram, a quem cabe a gestão dos donativos. Nos apadrinhamentos individuais, a Associação obtém de instituições parceiras a indicação dos jovens, sendo a relação gerida diretamente entre estas e os padrinhos ou madrinhas, que aceitam custear os estudos no todo ou em parte; as transferências tanto podem ser diretas às instituições ou passar pela Ser Mais Valia. Este é um aspeto crucial nos apadrinhamentos: os montantes nunca são entregues diretamente aos jovens, mas enviados às instituições que os referenciam. O envolvimento das instituições parceiras da Ser Mais Valia assegura a correta gestão dos donativos e garante, além disso, um acompanhamento próximo do percurso académico de cada apadrinhado e a informação periódica sobre o desenrolar do seu percurso.

Trazemos aqui os depoimentos de duas madrinhas e um padrinho, que nos falam das suas motivações e das alegrias que têm recebido.

Esperamos que estes depoimentos possam motivar outros amigos da Ser Mais Valia a fazer o mesmo, estando nós à disposição para os ajudar a encontrar afilhados!

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Era uma vez uma menina que nasceu, em Moçambique, em 4 de Abril de 2003, a quem deram o nome de Fraita. A mãe chamava-se Loida Lino Momade Marrucia e o pai Belito Garmone. A menina cresceu em Maputo até que um dia ficou órfã de pai e depois também de mãe.

Frequentou a Escola Primária Completa de Patrice Lumumba e Escola Secundária da Manhiça até aos 15 anos, altura em que foi acolhida, pela Irmã Rufina Matavele, no Centro Menino Jesus da Manhiça, tendo concluído o 11° e 12° ano no Colégio Marista da Manhiça.

Tem uma irmã, Odete e um irmão, Araújo, mas vive com a avó.

Graças ao seu aproveitamento escolar, pôde ingressar no curso de Saúde Pública na Universidade São Tomás de Moçambique, na Faculdade de Ética e Ciências Humanas. E é aqui que a Fraita e eu nos cruzamos, ela a começar todo um percurso de estudo, com vontade de realizar o sonho de completar o seu curso universitário, mas sem possibilidades financeiras, e eu com vontade de apadrinhar um/a estudante e ajudar a realizar um sonho.

Assim, em março de 2021, através da associação Ser Mais Valia, eu era oficialmente madrinha da Fraita e enviava, através da Western Union, a primeira contribuição de €50,00, mais taxa, para a inscrição dela no curso, mas esta quantia oscilava muito mês após mês, dependendo do câmbio e dos requisitos da Faculdade. Em abril de 2021, por exemplo, foram enviados €133,00 correspondentes a 8.963,00 meticais…

E assim se passaram quase cinco anos. Hoje a Fraita tem o seu sonho realizado e uma vontade grande de ser útil ao seu país. Foi há pouco tempo entrevistada em Maputo no programa televisivo “Bee Happy” e integrou, pela primeira vez, a colectânea EscritAfricando, mais uma das iniciativas da associação Ser Mais Valia na promoção do gosto pela escrita de alunos africanos falantes da língua portuguesa.

Maria Isabel Raposo Martins
Associada SMV

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A Irmã Filipa Leonardo, da Fraternidade Imaculada Hospitaleira – Chingussura – Beira – Moçambique, após eu ter terminado a minha ajuda de 2 anos a uma menina para concluir o curso de Agronomia, contactou-me para me pedir que assumisse as despesas de uma bolsa de estudos para que outra menina órfã, a Rambewa Mande, durante os anos de 2025 e 2026, pudesse frequentar o curso de Técnica de Medicina Geral, o que aceitei com todo o prazer.

Tanto a Irmã Filipa como eu, quase decorrido este ano letivo, estamos muito satisfeitos com os resultados académicos obtidos pela Rambewa, que tem tido o cuidado de me enviar fotocópias de todos os seus exames os quais apresentam sempre classificações muito elevadas.

Pelos frequentes contactos que vamos tendo, creio poder afirmar que a Rambewa merece todo o nosso apoio pessoal e financeiro pelo excelente relacionamento humano demonstrado e pelas classificações conseguidas de aluna exemplar.

Lopes dos Reis
Associado SMV

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Sou madrinha do Munancane, de 18 anos e que sonha ser arquiteto ou técnico de construção civil, e também do Edmilson, que tem 17 anos e pretende formar-se na área da saúde como técnico de laboratório.

Ambos são moçambicanos, terminaram a 11ª classe e vão continuar a preparar-se para a entrada na Universidade.

Vivem felizes na Casa do Gaiato em Maputo, instituição que muito apoia jovens em situação de carência económica. Após o falecimento do meu Pai, pensei honrar a sua memória criando uma bolsa de estudos com o seu nome, mas decidi-me por esta forma mais simples e imediata de o perpetuar apoiando esta causa, uma vez que considero que a educação é a melhor ferramenta para o desenvolvimento do país.

Rosário Vidal
Associada SMV