A visão por trás do projeto que está a mudar destinos

A Fundação Calouste Gulbenkian, após vários anos de apoio estruturado aos sistemas de ensino dos PALOP, designadamente as reformas curriculares e a formação de professores, perante os novos desafios tenológicos e da sociedade do conhecimento entendeu, para o ciclo de programação 2023-2027 focar a sua intervenção na área das ciências exatas, e fundamentalmente na Matemática.

A intervenção na área da Matemática deve-se ao papel estruturante que esta ciência tem no ensino e formação, não só de outras ciências básicas, mas também das ciências aplicadas, fundamentais para a integração na economia do conhecimento e na economia digital.

A Fundação Gulbenkian, elegeu, até 2027, duas linhas de intervenção na área da Matemática: o fomento do talento e do gosto dos jovens por esta disciplina, tentando ultrapassar o medo que muitas vezes os jovens têm nesta disciplina, e o reforço da oferta pós-graduada, muito com a perspetiva de dar um contributo para a melhoria das qualificações dos professores.

Tendo em conta a situação mais deficitária do ensino e da educação da Guiné-Bissau e tendo em conta os recursos qualificados e o conhecimento da Associação Ser Mais Valia do contexto guineense, a Fundação Calouste Gulbenkian entendeu apoiar projetos que juntam qualificação científica e são incentivo à prossecução de estudos nas áreas STEM como as engenharias Deste modo, a SMV promoveu já duas edições do projeto “Mais Conhecimento, Mais Futuro” dirigido aos “melhores” alunos finalistas do ensino secundário na área das ciências que foram financiadas pela Fundação.

É importante ter uma avaliação do percurso dos 56 jovens que já terminaram as edições anteriores (consideramos que avaliação de impacto só é possível daqui a vários anos) e que sabemos estar já a ser equacionada pela SMV.

Na 3.ª edição, que se iniciará em breve, manteve-se a preocupação com a participação significativa de meninas e acreditamos, tal como nas duas edições anteriores, que será um projeto que irá fazer a diferença na vida destes jovens.

Quando iniciamos este apoio a ideia era ter-se uma prova de “conceito” e não promover uma substituição do sistema de ensino. O futuro do projeto  será uma questão primeira de quem o promove e dos seus parceiros locais. Trata-se de um projeto que exige muito compromisso das autoridades guineenses designadamente quanto ao futuro académico destes jovens.

Maria Hermínia Cabral

Diretora do Programa Parcerias com África da Fundação Calouste Gulbenkian