A Identidade Visual dos 10 Anos da SMV – Entrevista a Rodrigo Craveiro

Rodrigo Craveiro é o designer gráfico e autor do logótipo original da Associação Ser Mais Valia, criado aquando da constituição da associação. Voltou agora a colaborar na criação da imagem comemorativa dos seus 10 anos. Fomos conhecê-lo um pouco melhor e saber como foi revisitar a nossa marca, uma década depois.

Professor na área do design gráfico e criativo ligado às artes visuais, o Rodrigo tem um percurso marcado pelo desenvolvimento de projetos noutras áreas como a da tatuagem, do graffiti writing e da caligrafia, onde explora a relação entre expressão visual, identidade e comunicação.

No trabalho desenvolvido para a SMV, atuou na interseção entre design, comunicação e impacto social, procurando traduzir valores, missões e histórias numa identidade visual clara, coerente e significativa.

Quais foram os principais aspetos e mensagens que considerou importantes transmitir na imagem comemorativa dos 10 anos da SMV?

A proposta para a identidade visual da comemoração do 10.º aniversário da Associação SMV teve como principal objetivo transformar esta data num símbolo de continuidade, impacto e projeção futura, refletindo aquilo que considero ser a essência da missão da associação: gerar valor através da partilha de conhecimento entre pessoas, experiências e culturas distintas.

Mais do que assinalar uma celebração, esta identidade procura representar a maturidade, a consistência e a capacidade de crescimento da associação ao longo destes dez anos. Pretende também traduzir a sinergia entre pessoas que, através das suas competências nas dimensões técnica, humana e cultural, constroem conhecimento de forma coletiva e transformadora.

A escolha cromática estabelece uma ligação ao trabalho desenvolvido com os PALOP e comunica, simultaneamente, a experiência, a proximidade e a maturidade dos voluntários da associação. As cores foram pensadas como afirmação de uma identidade enraizada, humana e próxima das comunidades com quem trabalha. As formas utilizadas procuram transmitir clareza e assertividade, reforçando valores como credibilidade, competência, empatia e confiança. Ao mesmo tempo, refletem a relação próxima entre voluntários e comunidades, onde o conhecimento se constrói através da escuta, da presença e da partilha. O conceito visual incorpora também a ideia de movimento e transição, representando tanto a passagem de conhecimento entre formadores e formandos como a mobilidade dos voluntários e o próprio percurso de aprendizagem. Pretende-se, assim, traduzir a dinâmica viva da associação: ensinar, aprender, deslocar-se e transformar.

Esta abordagem materializa a essência da SMV: a convicção de que o conhecimento nasce da interseção entre pessoas com diferentes percursos, experiências e contextos, num processo contínuo, relacional e cumulativo. Em suma, esta identidade visual procura sintetizar uma ideia simples, mas central: há 10 anos a somar valor através da partilha de conhecimento, experiências e culturas.

Foi o criador do logótipo da Associação Ser Mais Valia aquando da sua fundação. Como foi revisitar esse trabalho uma década depois e reinterpretá‑lo à luz do percurso e da maturidade atual da associação?

Até certo ponto, o facto de ter sido o autor da identidade visual original da Associação foi uma clara vantagem, pois permitiu-me partir de um conhecimento mais profundo daquilo que a SMV representa, da sua missão e da forma como constrói o seu impacto junto das comunidades.

Naturalmente, passados dez anos, há sempre aspetos que hoje seriam pensados de forma diferente e novas ideias que poderiam acrescentar ainda mais valor ao projeto. Ainda assim, continuo bastante satisfeito com o resultado alcançado na altura, sobretudo pela liberdade que me foi dada para criar algo de raiz — funcional, original e coerente — capaz de traduzir visualmente aquilo que considero ser um bom design de comunicação: claro, útil e com significado.

Tanto na primeira como nesta nova colaboração, tem sido um prazer e uma honra ser escolhido para idealizar e materializar a comunicação gráfica da identidade da SMV. Esse processo torna-se ainda mais gratificante pela relação de proximidade e pela facilidade de trabalho com os membros da associação com quem colaboro diretamente, o que contribui para que o resultado final seja sempre mais autêntico e alinhado com a essência da instituição.

A imagem será também utilizada no encontro que terá lugar no dia 5 de dezembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, espaço onde a associação nasceu. Que papel pode ter o design na comunicação e no impacto social de uma associação como a SMV?

O Design de comunicação é fundamental para a comunicação visual de qualquer entidade, seja ela uma marca ou associação, pois é muitas vezes o primeiro contacto com a comunidade. Mais do que uma questão estética, é sobretudo uma ferramenta de comunicação, de identidade e de proximidade.

Numa associação como a SMV, que trabalha com pessoas e para as pessoas, o design ajuda a tornar a mensagem mais clara, mais acessível e mais próxima emocionalmente. Uma imagem consistente e bem idealizada reforça a credibilidade da instituição, facilita o reconhecimento público e cria um sentimento de pertença entre voluntários, parceiros e utentes.  O design também pode traduzir valores como solidariedade, confiança e inclusão, tornando-os visíveis no dia a dia na comunicação da associação.

Num momento comemorativo como este, e num espaço tão simbólico como a FCG, o design ganha ainda outra dimensão: a de preservar memória e projetar futuro. Ele ajuda a contar a história da associação, a valorizar o seu percurso e, ao mesmo tempo, a inspirar novas gerações a conhecer e a participar nesta missão social.

  Ana Suspiro

Voluntária da SMV