No dia 27 do passado mês de junho, realizamos a sessão de encerramento da segunda edição do Projeto Mais Conhecimento-Melhor Futuro, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, tendo como parceiros o Ministério da Educação Nacional da Guiné-Bissau (através da sua Inspeção Geral de Educação e Ensino Superior) e a Cooperação Portuguesa em Bissau.
Tal como na primeira edição, após um teste aplicado aos setenta candidatos alunos do 12º ano, selecionamos 30 que acompanhamos durante todo o ano letivo de 2024-2025. Tendo por base o programa oficial da Guiné-Bissau para o 12º ano e com a experiência adquirida na primeira edição, estruturamos um percurso com o objetivo de reforçar os conhecimentos e estimular a progressão nas áreas da Matemática, Língua Portuguesa e T.I.C.
Trabalhamos também as competências sociais organizando grupos de trabalho que prepararam a apresentação em powerpoint de um problema identificado por cada grupo. Assim, através de casos práticos estimulamos a escuta ativa, o trabalho individual e o pensamento crítico, que constituiu a base do sucesso durante a sessão de encerramento.
A carga letiva do Projeto foi de 278 horas (193 presenciais e 85 on line) tendo sido atribuída prioridade à Matemática com 144 horas (52%).
No início do Projeto lançamos um questionário sobre as expectativas dos alunos. A média de idades foi de 19,1 anos e o tempo médio para chegar (a pé) ao local das aulas foi de 45 minutos. Todos responderam que esperavam um tempo de ensino de qualidade que os preparasse para a entrada numa Universidade (na Guiné-Bissau ou em qualquer outro país, de preferência Portugal) ou no mercado de trabalho local. Quase todos tinham energia elétrica em casa mas ninguém tinha um computador. As áreas onde apresentavam maior vulnerabilidade eram as mesmas que se encontravam já programadas de acordo como foi constatado na primeira edição.

Para facilitar a pontualidade e maior concentração nas aulas, instituímos um apoio monetário para o transporte e um pequeno lanche a meio da manhã o que muito contribuiu para a melhoria da aprendizagem.
A pontualidade, assiduidade e compromisso foram muito evidentes e ao longo das aulas fomos criando laços de confiança, tornando possível a aquisição de novos conhecimentos na Matemática (onde as dificuldades eram evidentes), TIC e Língua Portuguesa. As aulas presenciais foram determinantes para a progressão da aprendizagem uma vez que as professoras resolviam situações onde a dificuldade no uso da língua portuguesa era o primeiro desafio. Ainda na área da Matemática foram preparados e distribuídos treze textos de apoio e fichas de trabalho, ferramentas responsáveis pela melhoria visível no final do Projeto. Na área da Língua Portuguesa constatámos a melhoria do interesse, a motivação e a participação quando solicitados ou por iniciativa própria. Foi notória a segurança demonstrada nas apresentações, nas respostas às questões orais e escritas e na capacidade de argumentação.
A progressão da aprendizagem foi avaliada por um teste intermédio e um final, onde na área da matemática, 80% dos alunos apresentou uma melhoria de mais de 50% em comparação com o teste inicial. Há a salientar um grupo de 10 alunos que no teste final teve uma percentagem de respostas certas superior a 50% e dois tiveram uma percentagem superior a 60%.
No questionário de avaliação final do Projeto, houve quase total acordo sobre a pertinência das áreas lecionadas, a sua complementaridade para com as aulas nas suas escolas e o apoio ao transporte e ao lanche, considerados aspetos muito positivos. No final todos salientaram a importância do Projeto e a necessidade da sua continuidade, para que outros alunos pudessem ter uma oportunidade única de melhorar as suas competências como aquela que tiveram.
O Projeto Mais Conhecimento-Melhor Futuro já consolidou a sua credibilidade tanto junto da Direção Geral da Educação e Ensino Superior como junto dos inspetores que convidaram os alunos a relatar a experiência que viveram nas suas escolas de origem.
Lincoln Justo da Silva
Voluntário da SMV, Coordenador do Projeto