Educação em ação – experiência de campo no projeto TweTu
De 8 a 31 de outubro, como voluntárias da SMV (Ser Mais Valia) cumprimos uma missão na Província do Namibe, Angola, ao abrigo de um protocolo estabelecido entre a FEC (Fundação Fé e Cooperação) e a SMV, no âmbito do projeto promovido pela FEC, designado por TweTu, acrónimo de Twendiwa oco Tupongole, Aprender para Transformar, em parceria com a Cáritas Diocesana do Namibe, a SMV e o Gabinete Provincial de Educação do Namibe, com cofinanciamento do Camões IP. Esta missão destinava-se a dar formação a futuros formadores nas Didáticas da Língua Portuguesa e Matemática no ensino primário de modo a promover a melhoria da prática educativa.
A sessão de abertura decorreu no dia 8, com a presença do Diretor Provincial de Educação do Namibe, Dr. Agostinho Neto, do Diretor da Cáritas Diocesana do Namibe, Pe. Afonso Castro, da representante da FEC em Angola, Engª Sílvia Santos e da gestora do projeto TweTu, Drª Liliana Alves, que fizeram as suas intervenções e nos apresentaram como formadoras do projeto. Nessa qualidade, apresentámos a nossa perspetiva sobre “Desenvolvimento profissional do professor”.
Após um intervalo para o coffee break, nessa mesma tarde iniciámos a 1ª sessão com um trabalho de grupo sobre os princípios da formação, que juntou todos os formandos presentes. No dia seguinte, os formandos, em número de 38 e organizados em duas turmas – uma de Didática da Língua e outra de Didática de Matemática -, iniciaram a sua formação, tendo depois alternado de modo a que – de 8 a 18 e de 20 a 30 de outubro- , todos perfizessem o total de 120h previstas (60 h para cada uma das áreas).
Destaque-se que, em termos de recursos materiais, as salas de aula estavam providas de acesso à internet, retroprojetor, quadro magnético, flip chart (cavalete com folhas), marcadores de várias cores, furador, agrafador, pinça de agrafos, fita-cola, cola, folhas A4, régua, micas, pastas plásticas para arquivo dos materiais distribuídos e uma fotocopiadora na sala de apoio. A equipa da FEC, do que dela dependia, tudo providenciou para que a formação decorresse de forma fluída e sem interrupções.
As sessões de formação decorriam das 8.30h às 11.30h, após as quais era servido um substancial coffee break, em que até a sopa fazia parte da ementa. Às 12h iniciava-se o segundo bloco de trabalho até às 15h, sendo depois servido o almoço para formadores, formandos e equipa técnica da FEC.

A jornada contínua, embora muito exigente para todos, revelou-se a melhor solução, já que todo o trabalho decorria no mesmo espaço físico, evitando saídas que pudessem perturbar o normal desenrolar da formação.
Depois desta experiência tão intensiva, destaque-se a inexcedível atenção e sentido de responsabilidade de todos os elementos da equipa técnica da FEC (Drª Liliana Alves, Dr. Vanêzio Francisco, Edilson Duarte) e do representante do Gabinete Provincial de Educação (Dr. Cristiano Watumbuka) que, pelo seu profissionalismo e presença constante, tudo fizeram para nos apoiarem, tendo mesmo participado em algumas das atividades em sala de aula. Esta atitude promoveu um estreito sentimento de partilha, bem patente nas relações geradas que nos fizeram sentir parte de uma família.

Na cerimónia de encerramento, tanto o Vice-Governador Provincial (Dr. Abel Kapitango), como o Diretor Provincial da Educação (Dr. Agostinho Neto) e representantes da FEC puderam testemunhar o clima de satisfação e alegria dos formandos que, num breve sketch, captaram momentos divertidos da formação.
Por tudo quanto vivenciámos, endereçamos a nossa maior gratidão: aos formandos, que se empenharam na formação de forma ativa; ao Governo Provincial de Educação do Namibe, com cuja estrutura reunimos e se mostrou muito empenhado no processo de formação de formadores; à estrutura local da FEC que, para além das sessões de formação, nos proporcionou momentos de uma gratificante partilha de emoções que trouxemos na nossa bagagem de formadoras.
Entre a didática e a tecnologia com Aida Batista – como a IA ganhou voz no TweTu
Durante a minha missão ao Namibe, numa das aulas de Didática da Língua, apresentei a canção Sou a escola, como modelo do que poderiam fazer em sala de aula para motivar as crianças. Depois de a ouvirem, os formadores perguntaram-me quem interpretava a canção. Como o recurso às ferramentas digitais era um dos conteúdos do programa, aproveitei para lhes dizer que a mesma havia sido gerada por IA (Inteligência Artificial) e expliquei-lhes como se fazia. Para grande surpresa minha, um dia após o meu regresso, recebi de uma das turmas uma canção igualmente elaborada por IA. Foi com a maior emoção que a ouvi, porque um dos objetivos – despertar o interesse pelas ferramentas digitais – havia sido conseguido.
Por outro lado, a letra captava na íntegra o ambiente vivido durante a formação, evocando as alcunhas usadas entre os formadores e o diferente papel de cada um, tornando-se, assim, num verdadeiro hino ao TWETU.
Aida Batista e Lurdes Serrazina
Voluntárias SMV