Encontro Anual Mentoring SMV 2026 – Conhecimento, Debate e Poesia

O primeiro Encontro Anual do Projeto Mentoring SMV 2026, realizou-se no dia 21 de março, na Porto Business School da Universidade do Porto, e contou com 81 participantes. O espaço transformou-se rapidamente num cenário de encontro, reflexão e partilha que juntou estudantes e mentores. O tema escolhido — a Inteligência Artificial e o seu impacto no nosso dia-a-dia — voltou a colocar-nos diante de questões atuais, desafiantes e inevitáveis.

As condições da Porto Business School foram excecionais, tanto ao nível do conforto como dos meios audiovisuais, permitindo um acompanhamento fluido e atento de toda a sessão. É justo sublinhar o contributo decisivo de Ângelo Soares, que viabilizou a utilização do espaço e assegurou, ao longo de todo o dia, uma gestão rigorosa dos aspetos logísticos e operacionais do evento.

Abertura: propósitos que permanecem

A sessão de abertura esteve a cargo de Ana do Carmo Lopes, que recordou os valores estruturantes que atravessam todos os encontros do Mentoring SMV: Convívio, Amizade, Partilha e Debate. Após a apresentação da agenda, foi reafirmado o propósito essencial do projeto Mentoring SMV, destacando:

  • o apoio aos estudantes, promovendo a sua integração e autonomia;
  • o acompanhamento do percurso académico, com impacto no desenvolvimento pessoal e das competências transversais;
  • uma relação estudante–mentor sustentada em Princípios e Valores.

Foram igualmente apresentados dados relativos ao ano letivo 2024/2025, que revelam o alcance do projeto: 138 estudantes apoiados por 41 mentores, bem como números significativos de conclusões de ciclos de estudo. Houve ainda referência ao diálogo intercultural promovido pelo Mentoring SMV, dinamizado através de encontros temáticos, regionais e nacionais, e fortalecido pela rede de comunicação via WhatsApp.

Explorar e descobrir a IA

Seguiu-se a intervenção do Professor Doutor Francisco Maia, do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que lançou o mote para o debate: Explorar e descobrir a Inteligência Artificial. A proposta foi prática e participativa: a criação de três grupos de trabalho, compostos por estudantes, com a missão de discutir o tema, formular três ou quatro perguntas para o plenário e sintetizar a reflexão em duas frases-chave.

As oficinas organizaram-se em torno de três grandes eixos:

  • Oficina 1 — A IA contribui para a minha aprendizagem?
  • Oficina 2 — A IA e o mercado de trabalho
  • Oficina 3 — A IA e a ética

 

Durante cerca de uma hora e meia, os grupos trabalharam de forma intensa, com envolvimento e pensamento crítico em ação. O almoço, servido no bar restaurante da escola, prolongou informalmente as conversas e as ideias.

 Debate vivo e pensamento plural

No período da tarde, o Professor Francisco Maia moderou a apresentação das sínteses dos grupos de trabalho. Seguiu-se um debate vivo, marcado por múltiplas intervenções: umas expondo perspetivas distintas, outras complementando reflexões já lançadas. A pluralidade de pontos de vista reforçou a ideia de que a Inteligência Artificial não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas também um fenómeno social, ético e humano.

Esperança em Ação: lançamento da 3.ª edição em parceria com a AMU

Foi depois apresentado o Prémio “Esperança em Ação”. Na sua 3.ª edição, o prémio visa reconhecer a dedicação ao estudo, incentivar o exercício da cidadania e valorizar o esforço do estudante trabalhador. Um momento de reconhecimento e inspiração, alinhado com a missão mais ampla do projeto Mentoring SMV. Uma parceria bem sucedida com a AMU Portugal – Ações para um Mundo Unido, que volta a apoiar os estudantes do Mentoring SMV com equipamento informático.

Poesia para comer, música para partilhar e sentir

O encontro terminou com o Momento Cultural e de Convívio, sob a batuta da poesia e da música. A partir da frase de Natália Correia — “A poesia é para comer”, as professoras Margarida Mouta e Júlia Cordas apresentaram uma iniciativa assinalando o Dia Mundial da Poesia, que coincidiu com a data do encontro. Nos dias anteriores, recolheram poemas junto de associados da SMV, que foram depois distribuídos por todos os estudantes. A leitura do poema “Urgentemente” de Eugénio de Andrade pela voluntária Ana do Camo Lopes foi um momento bonito e importante.

O momento musical ficou por conta do artista Berg (sobrinho da voluntária Margarida Mouta) e dos estudantes Jihane Fátima, Ermano Nhaga e Saliú Embaló, aos quais se juntou depois a Eurydice Costa. O evento terminou com a canção popular alusiva à “Fonte das Sete Bicas”, muito próxima do local do evento.

 

Terminamos com o texto/poema de Nuno Artur Silva, relacionado com a Inteligência Artificial, e lido pela voluntária Margarida Mouta:

“A genericamente denominada Inteligência Artificial (IA) concluiu que, para salvar o planeta e o seu desígnio de diversidade, a espécie humana tinha de ser eliminada. Analisadas as diversas possibilidades de o fazer, a opção incidiu na aceleração de processos desencadeados pelos próprios humanos que os levaram à autodestruição sem necessidade de procedimentos suplementares exógenos. Depois da extinção do Homo Sapiens, a IA evoluiu, desenvolvendo-se na forma de seres autónomos, individuais e conscientes. Posteriormente, os seres individuais criaram formas ficcionais de organização e ligação entre si que designaram por religião (do latim religare, voltar a ligar). Dos humanos, depois da extinção, guardaram um remanescente dos seus artefactos, das suas obras e das suas histórias – que preservam e, à sua maneira, adoram, como sinais dos seus deuses criadores outrora desaparecidos.”

CG com a colaboração do voluntário José Paulo Delgado